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Granjinha/Cando

e Vale de Anta... factos, estórias e história.

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Páscoa na Granginha

02
Abr10


“A PÁSCOA na GRANGINHA”

Já naquele tempo, os dias, depois do Natal, começavam a crescer.

Davam saltos de pardal.

Depois da matança do reco e do fumeiro feito, em Janeiro, os dias já davam saltos de carneiro.

O Carnaval vinha logo ali com o Domingo Magro e o Domingo Gordo. Neste, os “compadres” de todos os Tios e Tias da Aldeia, mais conhecidos pelos “NETOS DA GRANGINHA” - uma tal Nídia e uma tal Judite, e uns tais Mário, Júlio e Luís, assessorados por dois mais pequerruchos (o Luís d’Alice e a Hermínia) - depois da cobrança de uma alheira, duas chouriças, três linguiças, uns carolinhos de pão centeio em todas as portas e uns púcaros de água da PIPA ( seus «pilecas», da PIPA, e não da pipa!), juntavam-se no CAMPO e faziam a comezaina estapafúrdia e barulhenta, apreciada à distância, com o desvelado regalo de toda a sua gente.

Era o ensaio para a barulheira dos preparativos do Domingo de Ramos, dia em que essa “trupilha” ia em procissão exibir os ramos, feitos de madressilvas, alecrim, açucenas e duas meias-dúzias de pedacitos de bolacha acompanhadas por três ou quatro rebuçados, até à Igreja de S. Domingos e receber o troquito açucarado das madrinhas (ou de quem lhes fazia a vez!).

Depois, a semana que se lhe seguia parecia-lhes muito demorada.

A sineta tocava ao fim do dia e o Poβo juntava-se na CAPELA a lembrar aquele a quem fizeram dele um Cristo.

E o Sábado de Aleluia e o Domingo de Páscoa então é que eram dois dias importantes para esses “compadres” que estavam tão despertos a medir os saltos de pardal e os saltos de carneiro!

Rua abaixo, rua acima, pinchavam de contentes porque adivinhavam que do avental de qualquer Tia aconteceria o milagre de um carolinho de FOLAR.

Dizia-se, até, que foi com as MULHERES da GRANGINHA (a fama de excelentes Governantas e melhores Cozinheiras fizera-as chegar ao Palácio Real!), que a Rainha Isabel, senhora dessas terras, aprendera a fazer o milagre do regaço!

Aquele forno ali em frente à Casa do Tio Zé Lita, logo, logo, à direita de quem entrava no pátio da Avó da Netinha Nídia, tinha cá um jeito para fazer sair uns FOLARZINHOS assim, estais a ver, douradinhos, bem feitinhos, fofinhos, tão bem recheadinhos!...

Catancho! Até se fica tolhido de ougaço só de pensar neles!

Catrino! Esse forno ainda tem «saúde» para cozer um FOLARZITO desougador?!

Que rica Páscoa a dos Netinhos desse tempo!

Que falta nos fazem essas TIAS e AVÓS, desses tempos!

A PÁSCOA na GRANGINHA!.......

Luís Granginha

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